A
obesidade e o excesso de peso são um
dos grandes problemas de saúde pública
do nosso país. A sua relação
com o aumento do risco cardiovascular é
apenas uma das muitas consequências para
a saúde.
A obesidade é provavelmente um dos distúrbios
metabólicos mais antigos de que se tem
notícia. Como doença crónica
e de causas multifactoriais que é, a
obesidade tornou-se numa doença que leva
ao aparecimento de muitas, nomeadamente o desenvolvimento
de doenças cardiovasculares, hipertensão
e diabetes, entre outras.
A nível mundial, a prevalência
da obesidade está a aumentar de forma
exponencial, em todos os grupos etários.
Em Portugal, de acordo com o último Inquérito
Nacional de Saúde, existem cerca de 850.00
adultos obesos (IMC superior a 30) e o número
de pessoas com excesso de peso (IMC superior
a 25) ascende a quase metade da população.
A obesidade está directamente relacionada
com um maior risco cardiovascular, pelo conjunto
de doenças e estados mórbidos
que favorece, com especial destaque para a diabetes
tipo 2, que contribui indirectamente para um
acréscimo significativo da morbilidade
e da mortalidade por doença aterosclerótica,
e para uma diminuição da expectativa
do tempo de vida.
Qual a obesidade mais perigosa?
Os perigos associados à obesidade são
variáveis mas a localização
da gordura é o que mais conta: é
mais grave se o excesso de gordura estiver situado
na cintura e abdómen superior (barriga
e peito salientes), do que se ela estiver distribuída
pelas ancas (região glútea e coxas).
Quanto mais perto do coração a
gordura estiver, maiores são os riscos
de desenvolver doença cardiovascular
e diabetes. A gordura localizada ao nível
do abdómen (obesidade tipo maçã)
é característica dos homens, enquanto
aquela que se instala nas ancas e coxas, sendo
a cintura estreita, é tipicamente feminina
(obesidade tipo pêra). No entanto, a ocorrência
pode verificar-se nos dois sexos, e ainda podem
existir os 2 tipos na mesma pessoa (obesidade
universal).
Na obesidade do tipo maçã, a gordura
existente na zona do abdómen, para além
de estar debaixo da pele, também se encontra
dentro da cavidade abdominal, entre as vísceras.
Este tipo de obesidade é grave, pois
associa-se a um aumento das gorduras em circulação
no sangue (triglicéridos e colesterol),
e a outras complicações graves
como a hipertensão arterial, a diabetes,
a aterosclerose e doenças do coração.
Na obesidade do tipo pêra, a gordura está
armazenada debaixo da pele, não constituindo
uma situação grave no que respeita
às complicações cardiovasculares
e diabetes. No entanto, o excesso de peso existe,
e representa uma sobrecarga para os ossos e
articulações, para além
do problema estético, com que a mulher
normalmente se preocupa.
Em ambos os casos, a perda de alguns quilos
significa uma melhoria do estado de saúde
em geral.
Nut.
Florbela Mendes
Lisboa - Portugal
Site: www.florbelamendes.net
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