Os
alimentos não podem curar a depressão
mas a influência de alguns nutrientes
na química cerebral, está bastante
estudada e com provas dadas. Alguns alimentos
promovem uma sensação de bem-estar,
ao passo que outros nos podem “deitar
abaixo” e afastar as emoções
positivas.
A depressão e a ansiedade têm causas
variadas, muitas delas difíceis de contornar.
De vez em quando, todos já nos sentimos
um pouco deprimidos, com uma sensação
de tristeza e pessimismo em relação
à nossa vida, ao futuro e ao que nos
rodeia.
No
entanto, podemos quase sempre associar a nossa
infelicidade a um acontecimento desagradável
ou a um conjunto de circunstâncias Esta
situação de depressão é
transitória e melhora, geralmente, quando
as circunstâncias da vida ou a as atitudes
mentais se alteram.
Contudo,
muitas pessoas sofrem de depressão sem
uma causa que possa ser identificada. Este estado
pode oscilar entre o sentir-se um pouco em baixo,
ao estar sempre infeliz e, em casos mais graves,
à incapacidade de sentir qualquer alegria
na vida ou encontrar qualquer razão para
viver.
Uma
coisa é certa: os alimentos não
podem curar a depressão, mas a influência
de alguns nutrientes na química cerebral,
está bastante estudada e com provas dadas.
Alguns alimentos promovem uma sensação
de bem-estar, ao passo que outros nos podem
“deitar abaixo” e afastar as emoções
positivas.
De
que são feitos os pensamentos?
Tudo
aquilo que sentimos e em que pensamos resulta
de impulsos nervosos no cérebro, impulsos
esses que ocorrem através de substâncias,
conhecidas como neurotransmissores
A
serotonina é um desses neurotransmissores
e a sua deficiência tem sido há
muito associada à depressão e
à ansiedade. Muitos dos antidepressivos
utilizados na clínica médica são
inibidores selectivos de recaptação
da serotonina, ou seja, estes medicamentos permitem
que a serotonina fique disponível e produza,
assim, uma sensação de bem-estar.
De
que forma os alimentos podem ajudar?
Apresentando-se
a serotonina com níveis baixos em pessoas
deprimidas, há que aumentar esses valores.
E é isso que pode ser feito ao nível
da alimentação.
Os
alimentos não contêm essa substância
no seu estado natural mas, através de
um aminoácido chamado triptofano, que
é um precursor da serotonina, e na presença
de vitamina B6, verifica-se a conversão
do triptofano em serotonina, a responsável
pela melhoria da disposição e
do humor.
Assim,
há que garantir que a alimentação
forneça suficiente triptofano e vitamina
B6.
O
triptofano (aminoácido) existe nos alimentos
ricos em proteínas como o peru, a perdiz
e o requeijão (estes 3 são fontes
particularmente ricas) mas também na
carne magra em geral, no peixe, nos ovos, lacticínios
magros e leguminosas.
Para
se certificar que ingere boas quantidades de
vitamina B6, tenha em conta que certos alimentos
a contêm, em maior quantidade, como as
carnes, peixe, ovos e o fígado e, em
quantidades ainda razoáveis, os cereais
integrais, amendoins, batatas, couve lombarda,
ervilhas e bananas.
O
nível de açúcar no sangue
(glicémia) é muitas vezes um factor
de depressão. Um fornecimento de açúcar
(glicose) ao cérebro, de forma estável,
constante e sem grandes oscilações,
ajuda a fazer subir os níveis de serotonina
durante um certo período de tempo. Por
outro lado, a ingestão de hidratos de
carbono permite uma absorção mais
rápida de triptofano pelo cérebro.
A
forma mais eficaz de se manterem os níveis
de açúcar constantes no sangue
é evitar a ingestão de açúcares
refinados (presentes em alimentos doces, bolos,
bolachas, chocolates, açúcar de
mesa, etc.), e aumentar os hidratos de carbono
complexos, que libertam lentamente o açúcar
na corrente sanguínea.
Para
aumentar a ingestão de hidratos de carbono
complexos deve consumir diariamente cereais
integrais (em grão, como a arroz, o milho,
etc., ou transformados em pão, massas,
papas de aveia, cereais prontos a consumir,
etc.), leguminosas e fruta.
A
relação entre os níveis
de zinco e a depressão é muito
forte e observa-se frequentemente sinais de
deficiência neste mineral em pessoas deprimidas
e ansiosas. Os alimentos ricos em zinco incluem
as ostras, o marisco em geral, as carnes magras,
os frutos secos, aveia, o pão e outros
cereais integrais.
Existe
também uma correlação entre
algumas vitaminas do complexo B e a depressão.
Em especial, as vitaminas B12 e ácido
fólico têm um papel importante
na transmissão de certos impulsos nervosos.
A
vitamina B12 pode ser encontrada, no seu estado
natural, apenas em alimentos de origem animal:
carne, peixe, ovos, leite e derivados. Existem,
no entanto, alimentos enriquecidos (alguns cereais,
bebidas, etc.).
O
ácido fólico encontra-se no fígado,
nos legumes de folha verde escura (espinafres,
brócolos, couves, etc.), nos cereais
enriquecidos, frutos secos e leguminosas.
O
Ómega-3 é considerado um remédio
natural para tratar a depressão e, em
diversos estudos, esse efeito positivo tem sido
demonstrado. Pessoas com depressão demonstraram
ter um menor nível de ómega-3
do que as pessoas que não estão
com depressão. Pessoas que consomem dietas
ricas em ómega-3 apresentam uma incidência
menor de depressão e suicídio.
Os
ómega-3 (encontrados nos óleos
de peixe, nas sementes de linhaça e nas
nozes, entre outros) são necessários
para funções normais do sistema
nervoso. Um consumo adequado faz com que a membrana
celular que reveste os neurónios tenha
fluidez, evitando o seu endurecimento.
Alimentos
a evitar
Alimentos
como o açúcar, mel, doces, bolos,
bolachas e bebidas doces (refrigerantes, etc.)
provocam uma “explosão” curta
e penetrante de açúcar no sangue
e no cérebro, e uma subida rápida
mas pouco duradoura de serotonina. Esta subida
é seguida por uma quebra igualmente rápida,
que provoca uma ânsia por mais açúcar.
Para
além disto, a ingestão destes
alimentos, que são muito calóricos,
pode fazer aumentar o peso em pessoas sedentárias,
aumento esse que conduz a uma baixa da auto-estima,
que numa pessoa deprimida, já se encontra
em baixo.
O
mesmo se aplica ao consumo de outros alimentos
hipercalóricos como os alimentos fritos
e gordos, a manteiga, margarinas, queijos gordos,
molhos, etc.
Nut.
Florbela Mendes
Lisboa - Portugal
Site: www.florbelamendes.net |